Paddy Smyth
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Paddy Smyth, gay com paralisia cerebral, vence reality show britânico

Paddy Smyth, irlandês de 31 anos, vence reality show “The Circle”, exibido pelo Channel 4 da TV britânica e realiza um feito inédito: é o primeiro homem gay com paralisia cerebral a vencer um reality. Sua trajetória foi contada de forma emocionante durante o programa e emocionou o público que o deu essa vitória.

O reality britânico, que traz um formato diferente, é montado com diversos participantes confinados, cada um em apartamentos isolados. Eles só podem entrar em contato uns com os outros por meio de fotos (que podem ser fakes) e textos. Vence quem for o mais admirado por todos.

Paddy afirmou que inicialmente não queria falar sobre ser gay e sua paralisia cerebral, uma vez que nunca teve oportunidade de “ocultar a vulnerabilidade” para se relacionar com as pessoas. Contudo, depois de 48h, ele sentiu como se estivesse voltando para o armário – da homossexualidade e da deficiência – e decidiu de maneira voluntária falar abertamente sobre a própria trajetória.

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THE WINNER OF @c4thecircle 2019 is none other than our STUNNING, INSPIRATIONAL, SASSY, HILARIOUS PADDY FECKIN SMYTH 🤩🇮🇪🏳️‍🌈🥳

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Por sua autenticidade, Paddy Smyth dividiu opiniões, mas venceu o reality show. Levou para casa 70 mil libras – cerca de 370 mil reais. Com o dinheiro, ele afirma que comprará muletas glamorosas – “como se eu fosse ao Oscar” – e ajudar a mãe. “Meu pai faleceu este ano e só quero ter certeza que ela está bem”, contou. Ele espera que, para além do prêmio, sua visibilidade possa ter inspirado mais pessoas gays e deficientes.

“Acho que você deve estar aberto e dizer ‘eu sou o que sou’, ‘se você gosta de mim, ótimo’. É óbvio que algumas pessoas não vão conseguir dizer, o que é triste. Mas disse ao mundo e eu venci. Se as pessoas que assistiram vivem essa situação de não saber como lidar com a sexualidade, talvez o que aconteceu comigo dê a elas esperança”, disse.

Ele acrescentou ainda que sua participação foi importante para que as pessoas com deficiência tenham suas histórias valorizadas, uma vez que até então os reality shows anteriores traziam sub-representações. “Sei que, de certa forma, dividi opiniões, mas pelo menos entrei lá e fui eu mesmo”, disse. “Espero ter dado voz àquelas crianças com deficiência que pensa que não será alguém ou para os pais que pensam que a criança com deficiência não possa ter uma vida normal”.

Na entrevista, Paddy Smyth alegou que se relacionar no universo gay é complicado, pois a comunidade gay define as pessoas como interessantes ou não para um relacionamento por meio do culto ao “corpo perfeito”. Ele diz que, se alguém não faz jus à expectativa de um corpo perfeito, é difícil namorar ou pelo menos ter a oportunidade de iniciar o contato.

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